Dr. Gualter Nunes

       A prudência e a discrição bem equilibradas, devem sempre dosar o resgate da memória histórica de uma comunidade. E esse resgate somente torna-se possível quando os fatos ainda podem ser relembrados por pessoas que os viveram e que tornam possível confrontá-los com documentação encontrada. Assim, não poderá ser um trabalho completo e individual, pois exige busca constante de informações junto às pessoas mais antigas, parentes e amigos que foram assistentes e ouvintes privilegiados dos fatos e pessoas. 

Atualmente, a informática e o progresso das comunicações nos oferecem condições mais favoráveis às investigações, jamais substituindo, porém, os depoimentos dos que viveram e conviveram com as personalidades e com a realidade. 

O desinteresse cultural da sociedade do mundo moderno, extremante ligada ao imediatismo, dificulta as investigações. As dificuldades são imensas em razão da destruição de documentos, da desorganização dos arquivos públicos, além de múltiplos obstáculos que dificultam o trabalho investigativo. No entanto é imperioso procurarmos passar para as gerações vindouras os exemplos daqueles que nos antecederam e assim resgatar os valores e virtudes latentes em nossa comunidade.

      Gilberto Freire no prefácio de sua obra clássica, Casa Grande & Senzala, já afirmava: “Estudando a vida doméstica dos antepassados, sentimo-nos aos poucos nos completar:- é outro meio de procurar-se o “tempo perdido”. Outro meio de nos sentirmos nos outros – nos que viveram antes de nós; e em cuja vida se antecipou a nossa.
       É um passado que se estuda tocando em nervos; um passado que emenda com a vida de cada um; uma aventura de sensibilidade, não apenas um esforço de pesquisa pelos arquivos”.

       Nascido a 18 de maio de 1889 na cidade do Rio de Janeiro, antigo Distrito Federal. Gualter Nunes era filho único de José Antonio Nunes e de Arlinda Adelaide de Veiga Nunes.

      Fez o curso de bacharel em ciências e letras no Colégio Diocesano São José, na cidade do Rio de Janeiro, onde se bacharelou no ano de 1905.
Ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro onde se diplomou em abril de 1912, após ter defendido tese.
     Vindo para o estado de São Paulo, radicou-se na cidade de Piracicaba onde se casou com Adalgisa Candelária Nunes, chegando em Tatuí no dia 11 de agosto de 1913, onde fixou residência definitiva e teve seus filhos.
    Foi casado com Isabel Carneiro da Silva em segundas núpcias. Não teve descendentes. 
      Em nossa cidade ocupou o cargo de médico sanitarista no Posto de Saúde, depois médico chefe do Centro de Saúde, médico da antiga “Beneficência Tatuyense” e o primeiro médico da Santa Casa de Misericórdia de Tatuí onde permaneceu por muitos anos. Nesta casa de saúde exerceu o cargo de Diretor-Clínico, para o qual foi nomeado em 02 de junho de 1926 por indicação do Sr. Carlos Orsi.
Capitão médico da Revolução Constitucionalista de 1932, teve ativa participação no atendimento de nossos combatentes. Durante este período, ao lado do Professor Nacif Farah, ministrou aulas de enfermagem aos voluntários de Tatuí.
Foi vereador por algumas legislaturas, tendo ocupado a Presidência da Câmara em 1957. 
     Foi presidente do Rotary Clube de Tatuí e por vários anos presidente do XI de Agosto, inaugurando o estádio que leva seu nome, no dia 11 de agosto de 1935, com a partida de futebol entre o “XI” e o “Palestra Itália”, de São Paulo, atual clube do Palmeiras . 
    Quando estudante foi fotógrafo amador. Já médico foi redator do jornal “Cachoeirense” de Piracáia,SP. 
Sempre foi grande apreciador de teatro, música clássica, literatura, esportes, incluindo o turfe, além de grande paixãopor automóveis.
     O Dr. Gualter Nunes, foi também o primeiro motoqueiro de nossa cidade
     A nossa Escola tem hoje o orgulho em ostentar seu nome como seu patrono. 
     Faleceu em 4 de março de 1970, em Tatuí, deixando seu nome eternizado como o “Médico da Pobreza”.

    Apesar da boa vontade mostrada pelos entrevistados, alguns fatos e registros de nomes, principalmente, podem estar incompletos, pois, além do tempo decorrido e a falta de documentos, some-se o natural lapso de memória da maioria dos consultados, com idade bastante avançada.
    Foi possível, mesmo assim, marcar razoável quantidade de temas que permitem relembrar a figura marcante do grande médico e pessoa exemplar - Dr Gualter Nunes.

   Texto escrito com dados extraídos entre outras fontes da obrai “ Livro Ilustres Cidadãos 2006”, de autoria de Christiam Pereira de Camargo e Renato Ferreira de Camargo